A investigação que tramita no TRE-RN ganhou um ingrediente que, no mínimo, chama atenção: um e-mail institucional da Secretaria Municipal de Comunicação da Prefeitura de Mossoró aparece entre os endereços verificados no cadastro do perfil @allysonarrochado.
Não é um e-mail qualquer. É o secom@prefeiturademossoro.com.br.
E a história não para aí. Segundo documentos fornecidos pela Meta à Justiça Eleitoral e revelados pelo Blog do Dina, o perfil faria parte de uma suposta rede formada por páginas como @rncomallyson, @timeallyson, @allyson_humorado e @allysondopovo.
A finalidade atribuída à rede? Promover Allyson Bezerra e atacar adversários políticos.
Se confirmada, a história é grave. Porque uma coisa é militância política. Outra, completamente diferente, é aparecer uma conexão documental entre uma estrutura institucional da Prefeitura e uma rede de perfis políticos.
E tem mais. O outro e-mail verificado no cadastro do @allysonarrochado é de Valéria Persali, ex-secretária de Comunicação da Prefeitura e pessoa próxima de Allyson.
Valéria é noiva de João Carlos Medeiros, que ocupa cargo comissionado na Câmara Municipal de Mossoró, dirige o União Brasil Jovem e é apontado como criador do perfil @rncomallyson.
E ainda existe outra conexão: Medeiros foi sócio do blog “Toda Hora Mossoró”, que recebeu R$ 46.905,00 da Prefeitura de Mossoró entre 2021 e 2024, segundo os dados citados na investigação.
Coincidência? A Justiça Eleitoral é quem vai dizer.
Mas uma coisa já dá para afirmar: a pergunta deixou de ser apenas quem administrava os perfis. Agora é preciso saber quem criou, quem financiou, quem alimentou e, principalmente, se houve utilização de estrutura pública para fazer política.
Porque se a máquina pública entrou nessa história, o problema deixa de ser uma simples guerra de perfis nas redes sociais. Vira caso para a Justiça Eleitoral. E dos grandes.
