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Prioridade a Cínthia expõe incômodo e gera ruídos na chapa de Allyson

Nos bastidores da aliança liderada por Allyson Bezerra (União) a prioridade dada à candidatura de sua mulher, Cínthia Pinheiro, à Assembleia Legislativa já é motivo de conversas reservadas e crescente desconforto entre candidatos da chapa proporcional.

O episódio da convenção do partido, no último fim de semana, reforçou essa percepção. Enquanto Allyson entrou no ginásio carregado nos ombros de um apoiador, em clima de celebração, Cínthia vinha logo atrás, também em posição de destaque. A cena foi interpretada por integrantes da nominata como um gesto político que evidenciou quem ocupa o centro das atenções na estratégia da campanha.

O problema, segundo relatos ouvidos pela coluna, é que a chapa reúne 21 candidatos à Assembleia Legislativa, todos à espera de espaço, estrutura e participação equilibrada nas agendas do candidato ao Governo. Quando um nome passa a concentrar a maior parte da visibilidade, a leitura inevitável é de que a disputa interna deixa de ocorrer em condições iguais.

A insatisfação já aparece em diferentes frentes. Há candidatos que reclamam do tratamento desigual e do pouco espaço nas agendas políticas. Outros começam a questionar se vale a pena manter todos os esforços vinculados ao projeto de Allyson ou buscar caminhos mais produtivos para fortalecer suas próprias campanhas.

A preocupação aumenta entre candidatos considerados competitivos, que afirmam ter recebido o compromisso de contar com o apoio do grupo político de Allyson em Mossoró. Nos bastidores, porém, a informação que circula é de que a estrutura política do grupo estaria praticamente dedicada à campanha de Cínthia, reduzindo a margem de atuação de aliados de outras regiões.

Por enquanto, o desconforto ainda não se transformou em crise aberta. Não há sinais públicos de rompimentos nem de abandono da campanha. Mas o ambiente interno está longe da tranquilidade que se espera em uma chapa proporcional, onde o sentimento de equilíbrio costuma ser decisivo para manter o grupo unido.

Na política, a percepção muitas vezes pesa tanto quanto os fatos. E, neste momento, a percepção que ganha força entre integrantes da nominata é a de que existe uma candidatura tratada como prioridade. Resta saber se a coordenação da campanha conseguirá administrar.