A conta eleitoral da senadora Zenaide Maia em Mossoró terminou com um daqueles detalhes que fazem o bastidor político ferver e levantar algumas perguntas incômodas.
Allyson Bezerra, candidato ao governo do estado, foi bem votado na cidade, com 82.286 votos. Mas, convenhamos: dizer que ele “carregou” Zenaide seria forçar demais a conta. A senadora terminou com 41.437 votos e apenas em quarto lugar na disputa pelo Senado em Mossoró.
E aí vem o detalhe saboroso da história. Cadê a reciprocidade?
Porque, ao que se viu em materiais de campanha que circularam na cidade, candidatos ligados ao grupo de Allyson estavam muito preocupados em divulgar seus próprios números e os números de quem estava mais diretamente interessado na eleição de deputado e para o governo.
O nome de Zenaide? Em alguns materiais, nem sinal. O número da senadora? Também não.
É o caso de material atribuído ao vereador John Kenneth, candidato a deputado federal.
Ora, se era tudo uma grande aliança, companheirismo, parceria e composição política, era de se esperar que a senadora também tivesse espaço no santinho, no adesivo, no pedido de voto e na mobilização. Mas, pelo que apareceu nas ruas, a impressão foi outra.
Ao que parece, cada um cuidou muito bem do seu próprio quadrado. E, principalmente, da campanha de Allyson e de Cíntia.
Zenaide que se cuide porque aliança política também se mede na urna. E, em Mossoró, a “matemática”, dessa vez, foi pouco generosa com a senadora.
Na principal base eleitoral de Allyson, Zenaide ficou atrás de Styvenson que obteve 76.719 votos; Samanda de Lula emplacou 44.073 votos, e Coronel Hélio 43.575 votos.
E tem mais: no resultado estadual, Zenaide perdeu a segunda vaga para Samanda por apenas 5.765 votos. Aí fica aquela pergunta que ninguém quer fazer em voz alta:
Será que faltaram votos para Zenaide ou faltou empenho de quem dizia estar ao lado dela?
Porque pedir voto para Allyson aparentemente não era problema.
Agora, colocar “Zenaide” e o número da senadora no material de campanha, aí parece que a tinta acabou.
Nota da Chris:
Coincidência? Pode ser. Mas política, minha gente, é feita de gestos. E também de memória. Tem aliança que funciona muito bem no palanque. O problema é quando chega a hora de dividir o voto.
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