As obras do Ramal do Apodi caminham para o fim, delimitando o caminho para a chegada das águas da transposição e abrindo um leque de oportunidades para a população de 32 municípios localizados na faixa de domínio da Bacia do Rio Apodi/Mossoró.
Na tarde desta quarta-feira (20), a governadora Fátima Bezerra e o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, fizeram uma visita de inspeção ao túnel Major Sales, considerado a obra mais desafiadora do Projeto de Integração do São Francisco.
Localizado na divisa do Rio Grande do Norte com a Paraíba, o túnel tem 6,5 mil metros de extensão. A escavação foi concluída no início de abril, faltando apenas o piso e obras complementares no trajeto até Pau dos Ferros.
Fundamental para o abastecimento da Região Oeste, o ramal tem capacidade de transportar até 40 metros cúbicos por segundo. A infraestrutura vai perenizar os rios Apodi/Mossoró e Umari, garantindo abastecimento humano, industrial e agrícola, fortalecendo o desenvolvimento regional e beneficiando comunidades e atividades ao longo de todo o percurso.
Também faz parte do projeto a revitalização da barragem Santa Cruz de Apodi e a adequação e recuperação da Barragem de Pau dos Ferros para receber as águas da transposição.
“Esta é uma obra que completa o ciclo da transposição das águas do São Francisco no Rio Grande do Norte. Com a conclusão do Túnel de Major Sales, principal obra do Ramal do Apodi, estamos garantindo a emancipação hídrica do Alto Oeste, do Médio Oeste e de Mossoró, alcançando toda a região Oeste do Estado”, disse a governadora, lembrando, com orgulho, sua origem nordestina que, ainda menina, caminhava pela Caatinga em busca de uma cacimba para levar água de beber à casa da família.
“Nós que fazemos parte da geração sobrevivente da seca sabemos o valor humano de uma obra como essa. Sabemos o que ela representa em termos de respeito, dignidade, vida e desenvolvimento. Segurança hídrica significa não apenas garantir o abastecimento humano, mas também promover o desenvolvimento por meio da piscicultura, da irrigação e da agricultura”, destacou a governadora.
Contexto
As águas passam pelo túnel, descem por canais até o reservatório Angicos, em José da Penha. De lá vão para o açude Flechas e seguem para a Barragem de Pau dos Ferros e Santa Cruz, em Apodi.
As obras da transposição foram iniciadas em 2007 para levar água do São Francisco a regiões secas do Nordeste. Composta por dois eixos, já em operação, os canais transportam água por 477 quilômetros para Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará e Pernambuco.
Parte do Eixo Norte da Transposição, o Ramal do Apodi atenderá a aproximadamente 750 mil pessoas em 54 municípios desses quatro estados. A chegada das águas na região Oeste fecha as duas pontas da transposição no Rio Grande do Norte.
O outro ramal, o do Rio Piranhas/Açu, já está recebendo água do São Francisco, de forma planejada, desde agosto do ano passado, quando a primeira cota requerida pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh) cruzou a linha que divide a Paraíba do Rio Grande do Norte, seguindo para a Barragem Oiticica, em Jucurutu. Oiticica está atualmente com 554 milhões de metros cúbicos, correspondentes a 74,5% da capacidade de armazenamento, que é de 742,6 milhões.
Angicos é um dos mais antigos reservatórios do estado. Foi concluído em 1920, quando Luís Gomes estava dando os primeiros passos como município desmembrado de Pau dos Ferros, e a atual José da Penha era apenas uma mata alimentada pelo Riacho Aroeira.
De acordo com dados do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, no início de 2023, a execução física do Ramal do Apodi estava abaixo de 30%; hoje, passa de 94%.
Ramal do Apodi
- 115 km de canal – no RN são 9,2 km
- Execução física: 94% (maio 2026)
- Total: R$ 1,6 bilhão
- Governo Lula 3: R$ 1,27 bilhão
- Previsão para conclusão: 2026
Túnel Major Sales
- 6.577 metros de extensão
- Obras de escavação: 100%
- Valor: R$ 86 milhões


