Por Laurita Arruda (Território Livre)
A entrevista da deputada federal Carla Dickson (PL) à Rádio Difusora de Mossoró caiu como uma bomba dentro do PL no estado no feriado de Tiradentes.
Ao mirar críticas na própria aliada, a pré-candidata Nina Souza, Carla disse com todas as letras que a máquina da Prefeitura de Natal estaria “moendo” para eleger a primeira-dama. De cara, parece um movimento meio suicida politicamente, já que expõe o racha dentro de um grupo que, em tese, deveria jogar junto.
Mas tem quem veja menos emoção e mais cálculo nessa história.
Com trânsito forte no eleitorado evangélico e bem alinhada à pauta bolsonarista nos costumes, Carla não quer ficar de lado na divisão do bolo. Ao subir o tom, ela manda um recado direto: quer estrutura de verdade pra campanha, incluindo um teto partidário na casa dos milhões pra entrar competitiva na disputa.
Em outras palavras, abriu o jogo antes de correr o risco de ser engolida pelas prioridades do partido.
Do lado do PL, o incômodo é evidente, mas nenhuma palavra foi dada pela cúpula e nem por Nina Souza, a tendência é engolir seco e evitar resposta pública.
Carla é uma “escada” ou “esteira de luxo” que não pode ser descartada pra ajudar a puxar votos — inclusive pra própria Nina. Ou seja, seus 30 a 40 mil votos fazem falta na conta final de todos.
Com a janela partidária já fechada e poucas alternativas na manga, rifar a deputada agora seria um tiro no pé. O partido sabe disso, daí a opção pelo silêncio.

