Do Portal Diário do RN
Na primeira edição do Diário do RN, que chegou às ruas em 23 de agosto de 2022, a educação potiguar ocupava espaço nas páginas do jornal por um dado que chamava a atenção: mesmo arrecadando mais que a Paraíba, a gestão da professora Fátima Bezerra havia investido menos no setor durante o primeiro semestre daquele ano. Quatro anos depois, o mesmo comparativo apresenta um cenário diferente.
Naquele primeiro semestre de 2022, a Paraíba havia aplicado R$ 916,3 milhões em educação, enquanto o RN destinara cerca de R$ 754 milhões, diferença superior a R$ 160 milhões. O investimento potiguar era aproximadamente 17% menor, apesar de a arrecadação estadual superar a paraibana em cerca de 16%.
Em 2026, a relação se inverte na aplicação proporcional dos recursos. No primeiro semestre, o RN destinou 27,76% da receita líquida resultante de impostos à Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE), contra 26,05% da Paraíba. Os dois estados permaneceram acima do mínimo constitucional de 25%, mas, desta vez, o percentual potiguar ficou 1,71 ponto percentual à frente.
Os dados do Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação (Siope), do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), colocam ainda o Rio Grande do Norte como o estado com maior percentual de aplicação em educação do Nordeste e o terceiro do país no primeiro semestre de 2026, atrás apenas do Paraná, com 30,12%, e de Santa Catarina, com 29,09%.
Em entrevista ao Diário do RN, a governadora Fátima Bezerra (PT) avaliou o cenário quatro anos depois e destacou as mudanças registradas na educação estadual. “Nos últimos anos, o Rio Grande do Norte está vivendo uma transformação profunda na educação pública, e os resultados mostram que estamos no caminho certo”, afirmou. “Estamos investindo em infraestrutura, tecnologia, aprendizagem e, principalmente, na ampliação das oportunidades para os nossos estudantes”, acrescentou.
Em valores, o mínimo exigido do RN no primeiro semestre era de R$ 2,371 bilhões e a aplicação chegou a R$ 2,634 bilhões, cerca de R$ 262,3 milhões acima da obrigação constitucional. Na Paraíba, foram aplicados R$ 2,803 bilhões diante de um mínimo de R$ 2,690 bilhões, aproximadamente R$ 112,6 milhões acima do piso. Os números de 2026 referem-se apenas aos primeiros seis meses e ainda podem sofrer alterações até o fechamento do exercício.
Rede ampliada
As mudanças também aparecem na estrutura e na oferta de ensino. Cerca de 230 escolas foram reformadas, ampliadas ou estão em obras, com investimentos em climatização, conectividade, laboratórios e inovação.
Um dos principais avanços está no ensino em tempo integral, que passou de 70 para 248 escolas. “É uma mudança que significa mais tempo na escola, mais aprendizagem, mais atividades, mais oportunidades e mais proteção para os nossos jovens”, destacou Fátima.
A Educação Profissional também ganhou espaço. Segundo os dados apresentados pelo Governo, a modalidade cresceu 254%, chegando a 25 mil matrículas em 144 escolas. A expansão inclui os Institutos Estaduais de Educação Profissional, Tecnologia e Inovação (IERNs), com dez das 12 unidades previstas já entregues.
“Estamos preparando nossa juventude não apenas para concluir a educação básica, mas para ter formação, qualificação e melhores condições de ingressar no mundo do trabalho”, afirmou a governadora.
Resultado histórico
Os avanços também aparecem nos indicadores de aprendizagem. Segundo os dados apresentados pela governadora, o Rio Grande do Norte chegou a 4,0 no Ideb de 2025, ante 3,2 em 2023, crescimento de 25% e o melhor resultado da série histórica da educação estadual em 20 anos. Fátima também destaca avanços na alfabetização, na fluência leitora e na recomposição das aprendizagens.
“Quando olhamos para esses números, estamos falando de muito mais do que estatísticas.
Estamos falando de escolas melhores, professores valorizados, estudantes com mais oportunidades e uma educação pública que voltou a avançar”, afirmou.
Quatro anos depois da primeira edição do Diário do RN, os dados mostram o RN à frente da Paraíba e com a maior aplicação proporcional em educação do Nordeste no primeiro semestre de 2026. Para Fátima, são resultados de “investimento, planejamento, compromisso e uma política de Estado que coloca a educação como prioridade”.
